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quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Mensagem de um filho para um pai alcoólatra

Perdoe-me pai.
É importante que leia meu desabafo, sempre falei que quando crescesse queria ser igual ao senhor. Mas infelizmente eu mudei de ideia. Não imagina o que sofremos quando anoitece e não vem para jantar, pois só chega de madrugada assim mesmo embriagado. Olhe, não me importa que chute os meus brinquedos, pise-os e atire contra a parede, bata raivosamente em mim sem motivo quando lhe pergunto: por que o senhor não deixa de beber. 

Pai não me envergonho de usar roupas velhas, sapatos furados e nem me incomodo com o pouco alimento que como. Na verdade nada disso teria importância se o senhor não bebesse. Por favor, não fique parado nos bares perdendo seu tempo, seu dinheiro e, sobre tudo sua saúde, bebendo e farreando ao lado daqueles que dizem ser seus amigos. Lembre-se que nós precisamos do senhor.
Eu queria apenas tê-lo em casa toda a noite para dizer antes de deitar: benção pai! 

Sabe, eu senti muita pena em vê-lo um dia desses deitado na calçada. Os garotos que passavam, começaram a atirar pedras, seus cigarros estavam espalhados pelo chão, seus bolsos revirados e lá estava uma garrafa de cachaça quebrada em seus pés. Pedi para que não fizesse aquilo e eles me perguntaram: “Você conhece esse cachaceiro?...” 

Poxa pai, tive vontade de dizer não! Mas lembrei que certa vez me disse: “Filho, o verdadeiro homem não diz mentiras”, então tomei coragem e respondi: “Sim conheço, é o meu pai”. 
Eles riram e falaram, se fossemos você, teríamos vergonha de chamar esse bêbado de pai.

Baixei a cabeça humilhado, meus olhos se encheram de lágrimas e chorei, tentei erguê-lo para que levantasse, enxuguei seu rosto suado pelo sol do meio dia, contudo meus esforços foram inúteis, o senhor parecia não ouvir, dizia palavras incompreensíveis e rolava de um lado para o outro na calçada imunda.

Os garotos foram embora dizendo: “Você está lidando com um pau d’água sem vergonha, deixe-o pode ser que ao tentar atravessar a rua um caminhão passe por cima dele e o mate". Pai foi duro ouvir aquilo. Eu senti como se o mundo inteiro desabasse sobre mim, mas mesmo assim quero que saiba de uma coisa: "o voto que fiz de amá-lo, respeitá-lo e querer-lhe bem, hei de cumprir sempre, mas... quando crescer, não quero ser igual ao Senhor."

Esse texto tem autoria creditada a Alexandre Vaisam e foi bastante difundido nos anos 90. (imagem meramente ilustrativa, extraída do Google)

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